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mar 2025
Visibilidade trans no mercado de trabalho: inclusão vai além da contratação
Thalita Rocha

Em 31 de março, celebra-se o dia internacional da visibilidade trans, uma data que reforça a importância da inclusão e da equidade. No Brasil, apesar de alguns avanços, a realidade da população trans no mercado de trabalho ainda impõe desafios significativos. Contratar não basta. A verdadeira transformação exige um ambiente profissional preparado para acolher, desenvolver e reter esses talentos, garantindo oportunidades reais de crescimento.

Segundo o Dossiê ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) deste ano, que traz dados referentes a 2024, apenas 0,38% dos postos de trabalho formais no Brasil são ocupados por pessoas trans. Além disso, a maioria das contratações ocorre em cargos de baixa remuneração ou funções que não correspondem às qualificações dos profissionais. A falta de acesso a oportunidades empurra muitos para a informalidade, ampliando sua vulnerabilidade. De acordo com uma pesquisa da AlmapBBDO em parceria com o Instituto On The Go, aponta que 80% das pessoas trans enfrentam discriminação já nos processos seletivos, dificultando ainda mais o acesso ao mercado formal.

A barreira de acesso ao mercado de trabalho leva muitas pessoas trans à informalidade, aumentando sua exposição a riscos, exploração e violência. De acordo com uma pesquisa da Infojobs, 87% da população LGBTQIA+ identifica preconceitos velados como obstáculos ao crescimento profissional, e 93% acreditam que políticas inclusivas são essenciais para mudar esse cenário. A falta de renda estável restringe o acesso a direitos fundamentais, como moradia e saúde, aprofundando ainda mais a vulnerabilidade dessa comunidade.
Thalita Rocha, Gerente de Pessoas e Comunicação

O Brasil continua liderando o ranking mundial de violência contra pessoas trans e travestis. Em 2024, o Dossiê da ANTRA ainda revela que, foram registrados 122 assassinatos, mantendo o país nessa posição pelo 16º ano consecutivo. A Rede Trans Brasil também apontou, que no mesmo período, 105 mortes foram contabilizadas. Apesar da pequena redução no número de casos em relação ao ano anterior, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas mais eficazes e ações de conscientização para combater a violência sistemática contra essa população.

Empresas que desejam ir além do discurso precisam reformular políticas internas e a cultura organizacional. Isso inclui treinamentos sobre identidade de gênero para equipes e lideranças, respeito ao nome social e uso adequado de pronomes. Benefícios corporativos ajustados também fazem a diferença, garantindo acesso a tratamentos hormonais e assistência médica especializada. Criar um ambiente onde esses profissionais possam crescer e ocupar posições estratégicas é essencial para promover equidade.

Algumas companhias brasileiras já avançam nessa direção, implementando programas de trainee exclusivos, parcerias com ONGs e redes de apoio internas, o que demonstra que é possível adotar práticas eficazes para a inclusão de pessoas trans. Embora as iniciativas existentes já representam passos importantes, é essencial que todas as instituições se perguntem: como podemos ser mais inclusivos e fazer a diferença no acesso de pessoas trans ao mercado de trabalho? Além de promover justiça social, essas ações fortalecem a cultura organizacional e incentivam a inovação, tornando as empresas mais competitivas e conectadas à sociedade.

O dia internacional da visibilidade trans deve ser mais que uma data de reflexão. Para empresas que buscam se destacar, adotar políticas inclusivas vai além da contratação, é essencial para o desenvolvimento e crescimento profissional de pessoas trans. Incluir de forma verdadeira não é só uma questão de justiça social, mas uma estratégia importante para um mercado de trabalho mais justo e competitivo.

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Thalita Rocha
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